Artigo da semana: criminosos são impacientes

O artigo da semana é Criminal Discount Factors and Deterrence. Abaixo reproduzo o resumo:

The trade-off between the immediate returns from committing a crime and the future costs of punishment depends on an offender’s time discounting. We exploit quasi-experimental variation in sentence length generated by a large collective pardon in Italy and provide non-parametric evidence on the extent of discounting from the raw data on recidivism and sentence length. Using a discrete-choice model of recidivism, we estimate an average annual discount factor of 0.74, although there is heterogeneity based on age, education, crime type, and nationality. Our estimates imply that the majority of deterrence is derived from the first few years in prison.

Resumindo o resumo, os criminosos italianos são realmente impacientes, exibindo uma taxa de desconto de 0.74. Em outras palavras, o segundo ano de prisão tem apenas 0,74 do efeito do primeiro em termos de influência na decisão de cometer um crime. Não só isso mas, 4 anos de prisão é apenas 3 vezes pior do que 1 ano e 35 anos de prisão, o máximo permitido pela legislação brasileira, é apenas 3,85 vezes pior do que 1. A lição é clara, aumentar o tempo de pena não deve dissuadir criminosos e tal achado explica por que estudos anteriores não puderam encontrar qualquer efeito desse tipo de política. Os potencias afetados simplesmente não “enxergam” tão longe.

Correndo o risco de irritar meu companheiro de blog reaça, acho que essa pesquisa é um ótimo ponto contra a redução da maioridade penal (na verdade, contra penas longas em geral). Se o criminoso italiano adulto desconta o futuro a 0.74, qual será a taxa do menor infrator brasileiro? Se acreditarmos no resultado da pesquisa, ele mata qualquer esperança de se aproveitar do efeito dissuasão de penas mais longas para menores. Mais ainda, força o seu defensor a recorrer a argumentos ainda menos politicamente corretos como efeito incapacitação (preso não rouba pedestres) ou pura vingança mesmo. Se bem que, ser politicamente incorreto está na moda…

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